Dia das Mães

12/05/2007

Carta para minha mãe.

Parte I – Oficial, melancólica e piegas (esta parte vai junto com o presente)

Mãe,

Obrigada por você existir, senão certamente eu também não existiria.

Obrigada por você estar viva (mesmo eu não concordando com muitas de suas atitudes e idéias… quem sabe um dia chegamos a um consenso).

Agradeço o seu dom de saber perdoar e compreender, sejam os erros do papai, da vovó,  sejam os meus erros, o meu egoísmo, a minha auto-estima exacerbada, o meu excesso de vaidade e auto-confiança.

Com amor,

Sua filha 

* * *

Parte II – Reflexões mais realistas e rebeldes

Escrevendo desta forma todos pensamos que as mães são seres divinos, etéreos, imaginários… tais como anjos… tal é a magnitude da função ”ser mãe”. Entretanto as mães, como todas as outras pessoas são seres humanos cheias de dúvidas, medos e defeitos.  Através do relacionamento mãe-filho, certamente elas sofrem uma cobrança muito grande para serem pessoas melhores, pois precisam dar o exemplo certo para aquela  pequena criatura que até certa idade lhe tem como referencial de proteção e amor incondicional. Justamente por isso que as mães sofrem muito, se cobram demais… algumas delas se anulam como pessoa para serem simplesmente ”mães”. Minha avó, apesar de seu excesso de personalidade (para não dizer gênio difícil) não é mais uma pessoa, não é mais a mulher Olívia, como era em sua juventude. Ela é a ”vó”, um ser quase assexuado que esqueceu de sua própria existência para se dedicar à família (muitas vezes, esta dedicação ocorre de uma forma esquisita, que não entendemos, ou que julgamos errada, mas ela já sofreu tanto, já entrou na terceira idade, que justamente por isso tento compreendê-la). Trocamos experiências e, como mulher moderna que sou (cheia de contradições absurdas), ela confia em mim e compartilha história, conselhos…  como uma boa professora. Nem sempre os conselhos são bons, mas enfim… tento ser uma boa ouvinte.

Já com a minha mãe nosso relacionamento é diferente. Ela, que dedicou grande parte da vida dela a mim, minha irmã e meu pai, está em busca da vida… deseja ardentemente negar que o tempo passou e, tenho certeza que se ela tivesse muito dinheiro seria a mesma que é hoje, porém seria infinitamente  mais ”perua”, vaidosa, linda, cheia de vida, muito bem humorada, como sempre foi. Hoje vejo, minha mãe, ”Aninha”, no auge de dos seus 55 anos muito menos mãe e muito mais amiga e, justamente por isso, com muito mais imperfeições e menos autoridade sobre mim do que quando eu tinha 15 anos. Hoje, falamos sobre homens, sexo, fofocamos, bebemos cerveja, passeamos de carro. Minha mãe me entregou para o mundo… muito embora ela não saiba que eu morro de medo de tudo (de viver, de sofrer, de errar e por aí vai…).  Acredita ela ter feito o seu papel. Estou pronta. Sou uma mulher independente, autêntica e forte.

Sinto uma alegria enorme em saber que ela está linda, loura e cheia de vida. E sinto orgulho de saber que ela corre 8 quilômetros por dia, sempre as seis da manhã, há anos.  E morro de vergonha de contar que, na última vez que nos encontramos correndo pela manhã, ela me deixou muitos metros pra trás, correndo, pois meu preparo físico nunca foi dos melhores. Eu estava quase infartando… e vendo de longe aquela pessoa pequenininha, toda produzida, correndo, correndo, correndo… ”um dia quero correr igual a minha mãe”… pensei num surto de pensamento quase infantil.

Mãe, tão nova quanto algumas de minhas amigas… embora eu não esteja sempre perto, estaremos sempre juntas… O fato de eu não concordar com muitas de suas idéias não significa nada… só mesmo contradições e demonstrações do meu gênio difícil e muitas vezes autoritário e agressivo. São meus os defeitos… eu que preciso fazer análise… risos.

Peço perdão por todas as vezes que te magoei (intencional ou não intencionalmente).  

Estaremos sempre juntas. 

Um grande beijo…

Renata

Ah… sim agora esse se tornou um texto sincero…

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