Crônicas Corporativas

23/04/2008

Duas pessoas altamente bem vestidas entram num escritório de contabilidade e procuram pelo estagiário joãozinho, um garoto igualmente bem vestido e engravatado na faixa de seus 20 e poucos anos. O estagiário recebe os tais senhores (um deles com pinta de executivo portando algumas malas), e os conduz à sala de reuniões. Subitamente o escritório entra em aparente extase, pois todos imaginam ser um cliente em potencial para uma empresa carente de novos clientes. Os funcionários entretidos em seu ócio muito pouco criativo questionam entre si quem seriam aqueles senhores tão sérios.

 

Após uns 10 minutos na sala de reuniões, o telefone da recepcionista toca e joãozinho pede café e água para sua reunião. Uns 3 minutos depois do café servido constatamos que nosso amigo está entretido com a potencial compra de… tchan, tchan, tchan… gravatas! Sim, gravatas… No horário do expediente de trabalho. Seu chefe estava presente no escritório e tudo mais. E assim os minutos passaram… três e meia, quatro horas, quatro e meia da tarde… e a sala de reuniões imersa em gravatas coloridas para todos os lados…

 

E eis que até hoje eu me questiono o motivo das empresas não adotarem jornadas por produtividade. Vale a pena continuar fingindo estar cheio de trabalho na frente do  computador só para cumprir a tal jornada de trabalho? Por que a hipocrisia ainda funciona nesses casos?

 

2 Responses to “Crônicas Corporativas”

  1. rogerio Says:

    O mundo é um moinho. As pessoas se venderam. Quem está comprando essas pessoas está ávido por saber ou obter, um programa, uma solução operacional, para evitar desperdício de horas, minutos e até segundos de trabalho. Claro, sem parecer um carrasco, ou um capitalista selvagem. Mas no fundo, os donos de empresa tem essa alma. A alma do “mais”. Desde o descobrimento do Brasil, e principalmente a partir da revolução industrial (que nunca aconteceu por aqui), o brasileiro tem fama de trabalhar pouco. Na verdade, constataram os historiadores mais críticos, que o brasileiro não necessariamente trabalha pouco. Ele contenta-se com pouco. Na verdade (perdão pela redundância) ele contenta-se com o “suficiente”. Naquela época majestosa, a abundância de comida era latente. E comida sem esforço. A exemplo do que ocorre hoje em dia com a grande variedade de árvores frutíferas espalhadas pelo Plano Piloto, que dão principalmente mangas para o povão, o sertanejo e o nativo tinham muita oferta de comida sem muito esforço. Muita água pra beber, e um clima maravilhoso, com chuvas esporádicas, rios escaldantes e etc. Dizem que por isso, o brasileiro trabalhava apenas o suficiente para se manter, já que precisava de muito pouco e, a qualidade de sua vida era sempre muito boa. Apesar do contraste com a realidade atual, a preguiça ou a falta de vontade de produzir, pode estar intimamente ligada a esse passado. Pode estar no inconsciente coletivo nacional, como um trauma que jamais é superado. O brasileiro ainda precisa de muito pouco pra viver. Há muita gente vivendo com o básico. Pra que trabalhar tanto? Tendo o dinheiro pra cervejinha, pagar uma prestaçãozinha de uma tv ou um carro, pra quê mais?

    Quando o patrão sai, ou quando não está sendo cobrado, vigiado enfim, o seu passado colonial vem à tona. O descompromisso com a produção vai embora, já que o salário é certo.

    Precisamos de um pouco mais de ambição aliada a ação.


  2. […] 24, 2008 de renata O texto abaixo não é meu. Foi um comentário de uma pessoa especial (e ele não tem blog!!!). Senti uma pontinha de inveja, sabe? Ah… eu […]


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: