Falta de vergonha na cara X Erva Venenosa

10/07/2008

Era uma vez… e assim começa a nossa história… num mundo corporativo… dois personagens… ‘Falta de vergonha na cara’ e Erva Venenosa, que em tese deveriam trabalhar em equipe, ou com um mínimo de cooperação.

‘Falta de vergonha na cara’ era um típico cara acomodado, beirando seus 30 anos, ocupando há 7 anos um cargo de office-boy, sem maiores ambições na vida a não ser ”trabalhar o mínimo possível”. Um típico enrolão. Por diversas vezes seus colegas de trabalho reclamaram sobre a sua pouca ou quase inexistente disposição em cooperar, porém ‘Falta de vergonha na cara’ era profissional nesse jogo e, sempre conseguia se justificar perante aos seus tolerantes chefes seus deslizes.

‘Falta de vergonha na cara’ sofria de um grave problema de insubordinação crônica e cinismo abundante, pois sempre que seus chefes estavam por perto ele era o funcionário mais solícito e humilde que poderia existir na face da terra.

‘Falta de vergonha na cara’  tinha ainda uma característica adicional… invejar as pessoas, mesmo que secretamente. Ele sofria de um complexo de inferioridade abundante, além de uma tendência a acomodar-se na mediocridade abundante de seu ser. Em tese, ‘Falta de vergonha na cara’ deveria atender a todos os funcionários da firma, porém as pessoas tinham até medo de pedir as coisas ao sujeito, tamanha má-vontade em atender os colegas de trabalho. Deveria ainda atuar em equipe com Erva Venenosa, coisa que ele fazia de forma tão lenta, mas tão lenta, que ‘erva’ desistiu de pedir qualquer coisa a ele.

Erva Venenosa nunca foi nenhum exemplo de comportamento e relacionamento inter-pessoal e adorava controlar e delegar tarefas as pessoas que suportamente atuariam em equipe com ela. Muitas vezes nossa amiga ‘erva’ foi julgada como autoritária e mesquinha, mas ela, no máximo de sua auto-estima, sempre achou que poderia estar num lugar muito melhor do que estava, logo nunca se importou com os comentários alheios, embora muitas vezes se sentisse solitária.

Enfim, vejamos então a que ponto chega o limite do cinismo corporativo.

Erva Venenosa, sempre estudando, sempre se dedicando às suas atribuições finalmente recebeu a proposta de emprego que mudaria a sua vida profissional para sempre. Pediu demissão, avisando que deixaria a firma em 15 dias e começou a organizar sua vida para seu novo desafio. Indicou pessoas para o processo seletivo de sua vaga, conversou com RH, recebeu propostas de preços de empresas que também poderiam realizar o processo seletivo e assim continuou seu cotidiano de trabalho de forma mais branda, pois ainda teria muito trabalho por vir em seu novo emprego. Logo, cumpriu suas obrigações, e trabalhou menos… resolveu pendências pessoais, foi à consultas médicas e fez uma série de outras coisas que não fazia há séculos.

E eis que num certo dia, faltando apenas 4 dias úteis para que ela deixasse seu emprego, sua chefe perguntou como estava o andamento de suas pendências. O fato é que a chefe de ‘erva’ não sabia exatamente quais eram as atribuições de sua funcionária e estava completamente perdida diante do fato de estar sem uma pessoa que era responsavel por um serviço que ela nao fazia a menor idéia de como funcionava. Erva, sempre solícita, explicou que estava fazendo o possível mas, que infelizmente não poderia contar com a cooperação de ‘Falta de vergonha na cara’, uma vez que ele preferia ler o jornal todas as manhãs a fazer o serviço que lhe fora designado por ‘erva’. E eis que nesse momento uma quase discussão se instalou… ‘Falta de vergonha na cara’ acusou ‘erva’ de não estar trabalhando em seus últimos dias de casa, e que estava sendo paga para isso, portanto ele avisou apenas que não iria fazer o que ‘erva’ lhe solicitara.

‘Erva’ no auge de sua irritação, porém mantendo a calma e perplexa diante de tanto cinismo, simplemente avisou… a responsabilidade é de quem fica, vou fazer o possível diante das minhas possibilidades para fazer o essencial. E eis que ‘erva’ entregou seu serviço da semana para sua chefe, afirmando que não perderia seu tempo brigando com quem não quer trabalhar.

E eis que ‘Falta de vergonha na cara’ continua mais um ano nessa firma, que não tem tradição em mandar seus funcionários embora… talvez por total inexperiência em medir a produtividade efetiva de seus funcionários. ‘Erva’ revoltada com tamanha falta de gestão desanimou por não conseguir mudar tal realidade, porém estava aliviada por estar mudando de emprego, de ares e perspectivas. Erva considerava ‘Falta de vergonha na cara’  uma espécie de câncer para o mundo corporativo… um sanguessuga medíocre e invejoso que iria azucrinar em breve a vida de sua substituta.

E eis que ‘Falta de vergonha na cara’ continua lendo calmamente seu jornal todas as manhãs, isento de qualquer outra responsabilidade que não esteja ligada ao seu trabalho de office-boy… afinal de contas… o que ele deve fazer? Pagamentos, cópias e digitalizações, nada mais que isso.

E eis que ‘erva’ estava aliviada por ter a chance de ir trabalhar numa empresa onde as pessoas buscam excelência em suas atividades, a evolução, o fazer certo pela primeira vez, etc…  E estava contando nos dedos os dias, as horas e os minutos para sair daquele lugar e não ser obrigada a conviver com pessoas tão medíocres.

* * *

E assim eis que surgem maravilhosas dicas fresquinhas direto do Biz Revolution  para driblar o cinismo que ronda o ambiente corporativo:

* * *

Como acabar com o ambiente de máscaras e cinismo que rodeia a sua empresa?

???

1. Premie os 20% melhores funcionários da empresa na frente de todos, diga que ESSES são os modelos que todos devem seguir. Qual foi a última vez que a empresa bateu palmas para um funcionário tendo o endosso do Presidente da empresa?

2. Reúna as pessoas cara-a-cara com freqüência e consistência. Faça as pessoas exporem suas dores e medos. Se não o fizeram, provoque. Faça perguntas difíceis, pegue as pessoas pelas palavras vazias que geralmente pronunciam.

3. Desenvolva placares de resultados visíveis para todos. Crie e-mails diários, intranets, blogs que exponham os números individuais de cada pessoa para todos saberem.

4. Compartilhe os números de toda a empresa com todos. Deixe que todo mundo saiba o que todo mundo faz, quanto custa cada pessoa, cada departamento, cada custo por menor que seja.

5. Crie momentos de educação provocativa. Jogue um episódio recente que aconteceu na empresa (ou mesmo fora dela) na mesa e faça todos discutirem o que aconteceu, quem estava certo ou errado, o que poderia ter sido feito de maneira diferente.

6. Estabeleça um manual interno de “melhores práticas e boas tentativas”. A comunicação livre entre todos em uma empresa é que nem a livre circulação de sangue nas suas veias. É SINAL VITAL DE VIDA!!!

7. Crie uma maneira de obter feedback de clientes e funcionários, crie a figura de um Ombudsman, ou melhor, mantenha contato direto com os clientes. Quantas maneiras existem na sua empresa para o cliente entrar em contato com vocês?

8. A verdade demora em vencer o cinismo. FALAR UMA VEZ NÃO É O SUFICIENTE para alguém entender. Você precisa falar DEZ VEZES A MESMA COISA, de diferentes maneiras, até que os cabecinhas comecem a entender o que você está falando.

9. Promova os melhores, mova os melhores para as melhores oportunidades. Deixe que todos saibam que você realmente privilegia quem traz resultados e se engaja com a empresa. Os medíocres vão dizer que você promove quem você gosta, deixe eles falarem, depois mande-os embora!

10. Premie as pessoas que trazem notícias ruins antes que elas estourem e piorem as coisas.

FALE A VERDADE, NADA MENOS QUE A VERDADE, NÃO IMPORTA O QUE OS MEDÍOCRES DO MUNDO PENSEM!!!

 

 

 

 

One Response to “Falta de vergonha na cara X Erva Venenosa”

  1. Rogério Says:

    Fiquei fã da “Erva Venenosa”!! Muito mais ainda da autora de tão bem escrito texto!!!


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